sexta-feira, 2 de outubro de 2009

24º Dia

24º Dia

Acordei antes das 6:00 hs, porém bem disposto, afinal havia dormido com o som do mar me embalando. Verifiquei que havia dormido sozinho pois o Raimundo “amarelou” com medo das muriçocas e foi dormir na sala.
Procurei pela padaria e comprei 4 pães de leite (uma delicia) e voltei para casa afim de tomar meu café. Escrevi um pouco à beira da praia, onde fui conhecer bem de perto as belezas que vira na noite anterior.
Eu pensava em sair bem cedo, mas acabei esperando a Neide chegar para tirarmos uma foto . Enquanto isso resolvi aproveitar para lavar o tenis e a minha camisa que estavam imundos (dias na estrada né !). Acabei saindo com a roupa molhada mesmo. Bati duas fotos, uma com a Neide e o Raimundo http://www.orkut.com.br/Main#AlbumZoom?uid=10932769780593617800&pid=1254052023915&aid=1253979376$pid=1254050082860 e outra sozinho na praia http://www.orkut.com.br/Main#AlbumZoom?uid=10932769780593617800&pid=1254052023915&aid=1253979376$pid=1254050089567 . Me despedi e fui embora afinal já eram quase 10:00 hs e ainda ia me despedir da Gorete.
A estrada por aqui continuava aquela maravilha. O único porém é que há muitas subidas e descidas, um saco !. À esta altura a transmissão da bike já estava completamente detonada, dificultando muito a viagem. Quando pegava descidas, ou mesmo algum trecho plano, eu não tinha as duas marchas mais pesadas e nas subidas a corrente pulava direto. Por tudo isso a média de velocidade caiu muito (18,10 Km/h)
Mesmo assim fui vencendo os kms que me separavam do final do desafio. A estrada a esta altura estava completamente deserta. Posto de gasolina somente em Conde à 93 Km, segundo uma placa indicativa. O ponto favorável do dia foi que o sol de vez em quando “deu um tempo”. Após uns 50 Km percorridos eu teria que sair da estrada em direção à Palame e Baixio para almoçar, porém, acabei comendo uns sanduiches pois não encontrei almoço.
Depois de algum descanso fui-me embora, disposto a chegar à divisa do estado. Conde ficava à apenas 45 km e ao chegar lá eu não completaria os 100 km diários. Eu queria mais, e o tempo nublado ajudaria a uma esticada por mais alguns kms. Depois de completar a média, fui procurando um lugar para me “encostar” pois já estava escurecendo e até havia ameaça de chuva (será ?). Não achei nada e foi aí que resolvi aventurar um pouco. Eu iria até a divisa, distante uns 38 Km segundo a placa indicativa. Teria que pedalar umas duas horas noite adentro. Foi demais, a estrada muito boa facilitou muito, a chuva me pegou no caminho, mas eu estava adorando. Cheguei à divisa às 20:30 hs tirei uma foto da bike junto à placa e fui até um restaurante um pouco adiante. Pedi informações à uma senhora de nome Eliane. Precisava de um lugar para dormir, mas ali não conseguiria. Teria que seguir mais à frente, uns 6 Km chegando à Indiaroba. Antes porém a dona Eliane, que era dona do Restaurante Tropicaliente, muito simpática me ofereceu um prato de arroz e um pirão de peixe com pitú (uma delicia). Aliás, quando você passar por aqui não deixe de conhecer a dona Eliane e o seu Tropicaliente, fica bem na divisa, com certeza você não vai se arrepender.
Segui à frente despreocupado pois afinal eram só mais 6 Km até meu destino. O que eu não esperava é que a estrada fosse se modificar tanto. Ao entrar em Sergipe termina a Linha Verde, e aí ... vixi maria! Eram só buracos, sem acostamento e sem sinalização nenhuma. Eu cheguei a pensar que havia pego uma estrada secundária por engano. Parei numa casinha para me informar e para minha surpresa aquela era a “rodovia” até Aracajú. E para acabar de f... começou a chover de novo. Finalmente cheguei à Indiaroba, às 21:10 hs e em meio à festa do Divino Espirito Santo, padroeiro da cidade http://www.orkut.com.br/Main#AlbumZoom?uid=10932769780593617800&pid=1254052023915&aid=1253979376$pid=1254050096378 . Não foi difícil achar hospedagem. Logo me apresentaram o Negão, uma espécie de organizador da festa e muito importante na cidade. Ele prontamente me atendeu, pediu-me apenas para aguardar um pouco, pois ele iria comandar uma espécie de leilão, tradicional na festa. Os fiéis doam qualquer coisa que mais tarde será leiloada em frente à igreja. Côcos, galinhas vivas, farinha e até um saquinho de castanhas (vale tudo). Durante o leilão voltou à chover e tive que procurar abrigo (sempre acompanhado dos curiosos). Após a festa o Negão me procurou e fomos ao hotel, porém não havia vaga por causa da festa. Ele me levou então à uma pequena pousada, pagou uma refeição e logo depois nos despedimos. Fui direto dormir, havia pouco à fazer e já era muito tarde para mim (22:30 hs !)

Ficha Técnica

Velocidade média: 18,00 km/h
Velocidade máxima: 58.70 km/h
Percurso total: 138,71 km/h
Tempo de percurso: 8:10 hs

25º Dia

25º Dia

Assim que o dia clareou e um me levantei e sem muita demora me arrumei, tomei um café e fui embora, com destino à Aracajú. Os primeiros 35 Km da viagem foram um verdadeiro inferno. A transmissão da bike piorava à cada quilômetro. O começo da rodovia estava em péssimas condições sem acostamento. O transito era intenso e apesar de ser um sábado havia muitos caminhões. Depois de vencer esse sufoco cheguei à Estância e resolvi procurar uma bicicletaria para dar um jeito na bike. Achei uma chamada Rodociclo que tem a organização do Silveira (aqui todo comércio é identificado assim). Aqui por estas bandas é muito dificil achar peças importadas. Em nenhum lugar havia uma corrente do tipo “indexada” que poderia salvar o resto da viagem. Não tinha outro jeito senão inventar. Com a permissão do Silveira fui para a oficina e botei a mão na graxa. Comprei um pouco de querosene e lavei todo o conjunto. Retirei a corrente, lavei-a cuidadosamente e fui destravando dente por dente, batendo com um martelinho e lubrificando. Coloquei-a de volta tendo a idéia de colocá-la invertida. Cara, valeu a pena ter perdido uma hora pois nem parecia a mesma. Melhorou uns 90 % .
Saí animadíssimo de Estância, agradecendo ao Silveira pela força. Faltavam até Aracajú uns 70 Km que acabei percorrendo numa boa com a “nova” bike.
Quando estava à uns 18 Km vi no acostamento, duas grandes caixas de papelão jogadas. Parei vi que estavam cheias de ovos. Haviam com certeza caído de algum caminhão pois muitos estavam quebrados e ainda havia outra caixa jogada dentro do mato. Enchi as mochilas com o que deu prá levar e fui embora. No caminho fui pensando em dar um jeito de ganhar uma grana com aqueles ovos. Parei num posto de gasolina e consegui um “sócio”. Fomos com o fusquinha até o local e pegamos as tres caixas (cada uma tinha 30 dúzias). Voltamos ao posto e fomos separando o que sobrara e no final fiquei com 30 dúzias (fora o que estava nas mochilas). Era muito ovo prá levar na bike e pedi que o pessoal guardasse prá mim. Na minha saida ainda rolou uma puta guerra de ovos no posto (era ovo prá todo lado).
Quando cheguei à Aracajú nem precisei ir até o centro pois logo na entrada da cidade havia sabe o quê ? O quartel da Policia Rodoviária. Quando cheguei no portão lá estava o Sgto. Fernando. Eu nem precisei falar nada pois ele mesmo já começou a me interrogar com o “de onde vem, prá onde vai”. Pronto, estava armado o golpe. Em 10 segundos eu estava hospedado. Me acomodei e fui convidado à jantar. Disse ao sargento que tinha comida num marmitex (que sobrara do almoço). Mesmo assim o sargento ainda mandou acrescentar mais arroz e carne assada quentinhos (quase não consegui comer tudo). Prá beber tinha um barril de suco em cima da mesa, era só ir enchendo o copo.
Falei ao sargento sobre os ovos e ele ficou de arrumar uma viatura para ir buscá-los mais tarde. Depois de muita conversa, fui ao centro de Aracajú, de ônibus, dar uma volta e tentar revelar o primeiro filme da viagem. No Shopping Rio Mar existe uma loja que revela em 1 hora. Enquanto aguardava dei uma volta no shopping e lembrei da Dani pois minha ultima passagem por um shopping foi num encontro com ela em São Paulo (Dani, tô com saudades !) Telefonei prá mamãe e prá Sthefanie. Ela já havia saido do hospital e parecia estar bem.
Fiquei muito feliz e bem mais tranquilo. Falei com minha ex-mulher, prá saber do estado da Teté e sobre a grana (é lógico). Ela havia recebido do Fausto Lopes, então tudo bem. Peguei as fotos com o pessoal, tomei outro banho e fui dormir (ou pelo menos tentar). Foi a pior noite desde o início da viagem. Milhões de muriçocas moravam no local e o único jeito era dormir coberto (mas com esse calor ?). Foram quatro banhos durante a noite prá poder suportar o calor debaixo do lençol e mesmo assim quase não dormi. Que noite !

Ficha Técnica

Velocidade média: 20,20 km/h
Velocidade máxima: 50,30 km/h
Percurso total: 103,34 km/h
Tempo de percurso: 5,10 hs

26º Dia

26º Dia

Depois da péssima noite, consegui dormir um pouco depois que as “malditas” foram embora. As 7:00 hs o Sgto. Fernando me acordou pois havia arrumado uma viatura prá buscar os ovos, fui com o soldado, pegamos os ovos e voltamos. Acabei “doando” os ovos ao quartel em agradecimento à ótima recepção que tivera.
Até o café da manhã foi especial com muito suco, pães, uma laranja, uma maça, biscoitos e um copo de leite (acho que nem os oficiais come isso). Valeu !
Após a costumeira foto http://www.orkut.com.br/Main#AlbumZoom?uid=10932769780593617800&pid=1254052023915&aid=1253979376$pid=1254050531097 , me despedi e sai (um pouco tarde) com destino à Propriá distante uns 100 Km. O acesso à rodovia era bem próximo.
Com a bike arrumadinha não foi dificil ir vencendo a distancia que me separava do final da viagem. A ansiedade ia tomando conta de mim à medida que iam passando os dias. Eu já tinha certeza que conseguiria chegar ao final do desafio apesar e ter perdido dois dias de viagem (Vila Velha e Itabuna). Já estava outra vez com 71 Km acima do previsto. Depois de 25 dias de viagem o computador já acusava mais ou menos 2.400 Km. Os 3.100 Km não seriam completados em Fortaleza pois até lá ainda faltavam 1.240 Km segundo um policial rodoviário. Provavelmente os 3.100 Km estariam por volta de Recife (só chegando lá prá saber).
Eu também estava muito ansioso pois estava à uns 3 dias de Maceió. Estava louco prá chegar à tão decantada praia do Françês, muito famosa e frequentada pela galera de São Vicente. Tô chegando !
Depois de um dia meio que monótono, cheguei à Propriá, uma pequena cidade quase na divisa com Alagoas. O odômetro marcava 95 Km até o trevo de acesso à cidade. À esquerda fica a cidade e a direita uma placa indicava um quartel da PM. Resovi ir até o centro procurar o banco pois estava sem dinheiro nenhum. Ao chegar uma “surpresinha”, não tinha banco 24 horas. Fui então ao quartel e...outra surpresinha! ficar ali só se fosse preso ! (eu hein !). O jeito foi ir até um hotelzinho chamado Panamericano. R$ 5,00 a diária sem direito à café da manhã, só a cama e banho frio, pelo menos tinha ventilador.
Depois de me instalar fui dar uma volta e cheguei à uma festa oferecida pela Lanchonete Central http://www.orkut.com.br/Main#AlbumZoom?uid=10932769780593617800&pid=1254052023915&aid=1253979376$pid=1254050545951(um grande quiosque à beira do rio) que pertence a um cara chamado Joan. Ele me deu uns pedaços de bolo e refrigerante com que matei a fome. Fiquei ali na festa, dei uma volta pela cidade e fui dormir, como sempre ao lado da foto da minha princesinha.
Boa noite filha, se cuida hein !

Ficha Técnica

Velocidade média: 18,30 km/h
Velocidade máxima: 42,20 km/h
Percurso total: 107,07 km/h
Tempo de percurso: 6,25 hs

27º Dia

27º Dia


Aproveitando o fato da diária se estender até às 13:00 hs, eu aproveitaria para resolver alguns problemas, por isso fiquei descansando até um pouco mais tarde.
Após o café da manhã fui ao banco retirar o dinheiro que deveria mandar para Santos. Isso feito, fui procurar um local onde pudesse trocar a bateria do computador, pois esse apresentava-se com um problema já a alguns dias. Os dígitos do visor iam se apagando dificultando a leitura. Infelizmente fui informado era com o cistal do visor. Não tinha solução.
Passei em um supermercado onde comprei alguma coisa para comer durante a viagem.
Após pagar a conta do hotel (R$ 5,60) me mandei. Logo cheguei à divisa dos estados de Sergipe e Alagoas. Pedi à um rapaz que tirasse uma foto junto à placa indicativa e ainda bati uma foto da bike em cima da ponte sobre o velho Chico http://www.orkut.com.br/Main#AlbumZoom?uid=10932769780593617800&pid=1254052023915&aid=1253979376$pid=1254050486568 . Este rio divide os dois estados.
Segui em frente, pois havia saido tarde e tinha muito que andar. Infelizmente a estrada, que julgava estar bem ruim no estado de Sergipe, ficou bem pior, realmente uma merda ! Prá complicar mais um pouco, a bike voltou à ficar dodói (o mesmo problema com a corrente)
O trecho da estrada à percorrer era bem deserto, sem postos de gasolina e sem povoados num trecho de mais de 40 Km. Havia ainda alguns trechos com muito sobe e desce e com a bike falhando já viu né ! Ao anoitecer, mais ou menos às 17:30 hs como é normal aqui, eu havia feito apenas 62 Km. Parei num posto de gasolina para tomar um banho e fui informado que os próximos povoados seriam, Junqueira à uns 6 Km e Teotônio Vilela à 18 Km. Resolvi arriscar uma pedalada à noite, mesmo sabendo que a estrada continuaria ruim. Bom, ruim era um elogio. Houve um trecho em que a estrada simplesmente sumiu. Nos trechos “bons” da estrada havia asfalto, mas sinalização e acostamento nem pensar. Quase chegando à Teotônio Vilela existe uma descidona que daria muito bem para se fazer uma prova de Downhill. Também , eu nem podia reclamar pois estava na terra do Fernandinho Ali Babá.
Cheguei à Teotônio Vilela às 20:30 hs e fui me informando sobre algum lugar para dormir, até que cheguei à um posto policial. Estavam ali o Sgto. Leandro e o soldado Lessa. Não havia alojamento ali no posto, mas com muito boa vontade os dois resolveram o problema me instalando na república. Era um local onde os soldados dormem e comem. Me deixaram bem à vontade me arrumando um colchão com o qual improvisei uma cama em cima de dois bancos. Havia tudo no local, resolvi fazer outra macarronada (aquela, que só eu sei fazer e só eu consigo comer). Fui ao posto telefônico de onde liguei para o meu irmão e tentei outra vez ligar para a Dani (não consegui outra vez).
Depois disso, voltei à republica e dormi, ao som de um bingo que se realizava na calçada.


Ficha Técnica


Velocidade média: 18,70 km/h
Velocidade máxima: 58,20 km/h
Percurso total: 87,70 km/h
Tempo de percurso: 6:00 hs

28º Dia

28º Dia

Mais ou menos às 5:30 hs o Sgto. Leandro, conforme o combinado, foi abrir a porta da república pois logo o padeiro passaria. Dormi sozinho e bem. Comprei pão suficiente para o café da manhã e também para levar para a viagem. Preparei-me e logo sairia, despedindo-me antes de todos. A estrada começava com uma grande ladeira, até que em estado razoável mas logo em seguida... aquela merda ! As estradas por aqui andam muito ruins.
Pedalei mais de 35 km sem que houvesse nenhum povoado ou posto de gasolina. Parei apenas uma vez para fazer um lanche aos 27 Km e depois segui até chegar à São Miguel dos Campos onde deveria entrar à direita com destino à barra de São Miguel e pegar o caminho para a praia do Françes. Qdo cheguei ao trevo de São Miguel dos Campos parei para me informar sobre a estrada à frente e tive boas notícias. Segundo o policial, agora era só descida até Maceió. Gentileza do policial (ele falou isso só prá me animar). Quando eles falam em descida é porque o trecho é plano, e quando falam que é plano... preparem-se para subir !
Mesmo assim gostei demais dessa estradinha, embora sem acostamento, o asfalto melhorou bastante e o fluxo de veículos diminuiu sensivelmente. Eu praticamente pedalava sozinho. Contra mim estavam, o problema da trasmissão da bike, um puta vento contra e a ausência de lugares para tomar um banho (geralmente eu me banhava em rios ou em postos de gasolina). A estrada é toda ladeada por imensas plantações de cana-de-açúcar. Muito bonita. Mais ou menos com 70 Km, finalmente, um riozinho com alguns quiosques e água limpíssima. Não hesitei em parar ali. No local já estavam um senhor e um garotinho com quem logo fiz amizade. Tomei meu banho e após algum bate-papo fui embora. A praia do Françês estava à 8 Km. Quando fiquei sabendo disso me empolguei e sai num sprint até chegar ao trevo de acesso à praia. Mais 1 Km e eu finalmente chegava à Imobiliária do Françês onde deveria procurar a Adriana. Ela havia ido à Maceió. Um funcionário me indicou o caminho até a casa do Nanico, onde eu iria filar uma dormida. Na verdade eu estava louco mesmo era prá pegar uma praia afinal a última já fazia um tempinho.
Cheguei finalmente, e na porta estavam 3 garotas. A Mônica que morava no local, a Ciça e a Jô. Elas já estavam esperando pela minha chegada. Logo o Nanico aparecia no portão e a festa começava. Ele disse que estava preocupado pois pensava que eu havia saido de Santos no dia 1º de abril conforme havia anunciado.
Partimos logo para a “session” de fotos. A primeira com a galera, a segunda na praia http://www.orkut.com.br/Main#AlbumZoom?uid=10932769780593617800&pid=1254052023915&aid=1253979376$pid=1254050939686 , batida pelo Nanico e depois outra com a camisa dos patrocinadores. Ficamos conversando um pouco no portão até o Nanico me convidar para entrar. Eu tava louco prá tomar um banho afinal eu não estava me sentindo bem, ali no meio das gatas e com aquele cheirinho de aventura.
Tomei meu banho e fui prá cozinha, fazer adivinha o que... (a.m.q.s.e.s.f.e.s.e.c.c)*. Enquanto eu almoçava, o Nanico apareceu dizendo que um amigo (que depois fiquei sabendo se chamar Zé Carlos) queria fazer uma matéria à ser divulgada no Flash Total, um jornalzinho informativo local (tipo do Informar de São Vicente). Tive que vestir outra vez o uniforme para tirar umas fotos http://www.orkut.com.br/Main#AlbumZoom?uid=10932769780593617800&pid=1254052023915&aid=1253979376$pid=1254050947160 , falei um pouco sobre a viagem e logo estava liberado para a praia.
Ah, que beleza de praia e quanto broto. O local é realmente demais, muito bem frequentado, com uma galera jovem. O mar que geralmente oferece ótimas condições para o surf, nesse dia estava apenas razoável. Felizmente havia na praia um par de raquetes e uma bolinha de frescobol. Chegou a hora de matar a vontade. O Nanico e o Frank (um gringo que também mora na casa junto com a Mônica) já haviam jogado bastante pela manhã, mesmo assim fiz uma “session” com o Frank e depois com outro local de nome Miguel.
Deu prá matar a saudade. Porém estranhei a bolinha, bem diferente das que costumo jogar lá na “terrinha”. Mesmo assim valeu !
Voltei para casa, tomei banho e lavei minha roupa que havia deixado de molho. Só então dei uma cochiladinha no sofá. Mais tarde eu sairia prá telefonar, aproveitando para conhecer a dona Zezé (dona da Pousada do João) http://www.orkut.com.br/Main#AlbumZoom?uid=10932769780593617800&pid=1254052023915&aid=1253979376$pid=1254050960807 onde todo ano se hospedam meu amigo Lorenz e a galera que ele costuma arrastar para lá (este ano foram uns oito).
Depois de uma voltinha para conhecer o local voltei para casa, fiz aquele macarrão (o mesmo de sempre), vi um pouco de tv e dormi. Meu primeiro dia no Françês valeu mesmo. Adorei a recepção, volto logo !
*(a.m.q.s.e.s.f.e.s.e.c.c) = aquele macarrão que só eu sei fazer e só eu consigo comer.

Ficha Técnica

Velocidade média: 21,00 km/h
Velocidade máxima: 55,30 km/h
Percurso total: 84,60 km/h
Tempo de percurso: 5:00 hs

29º Dia

29º Dia

Dormir e acordar embalado pelo som das ondas, não tem nada melhor. Hoje só faltou estar com a Sthefanie ali ao meu lado. A casa onde dormi fica à uns 50 metros da praia http://www.orkut.com.br/Main#AlbumZoom?uid=10932769780593617800&pid=1254052023915&aid=1253979376$pid=1254051375917 . Dormi no sofá com as janelas todas abertas. Sem mosquitos e com uma brisa atravessando o ambiente. Acho que o Nanico desligou a tv quando chegou, nem ví !
Fui à padaria para comprar pão e tive que esperar até umas seis e pouco, estava fechada ainda mas valeu a pena, o pão estava quentinho.
Tomei o café sozinho e logo em seguida a Mônica acordava para fazer o “leitinho” da Jéssica (vida de mãe é assim mesmo). Ela ainda estava grávida de um menino (segundo o palpite dela).
Fui arrumando as tralhas e quando saí o Frank já estava de pé. O Nanico ainda roncava no quarto, só acordou prá dizer “tchau Rato, boa viagem”.
Os primeiros 35 Km foram uma beleza, estrada plana, bom asfalto e nada de vento. Tava muito fácil para ser verdade. No meio de uma reta o pneu dianteiro “se foi”. Ainda bem que era o dianteiro, tirei rapidinho, coloquei a câmara reserva e comecei a bombar. A bomba prá variar já estava uma merda novamente. Desmontei e vi que a borracha tava completamente ressecada, impossível consertar. Havia uma casa em frente, porém o rapaz que lá morava não tinha bomba, disse porém que havia um posto de gasolina ali perto. Me emprestou sua bicicleta e eu fui ao tal posto levando o pneu para encher, quando enchi o pneu tive uma surpresinha. Ele havia rasgado exatamente como os outro dois. O rasgo era pequeno e deu para colocar um remendo.
Depois de todo esse tempo perdido, sai voando. Logo à seguir havia uma longa descida. Fiquei feliz com aquele presente mas não por muito tempo pois ao chegar em Atalaia descobri que havia pego o caminho errado. Aí já viu né, aquela descida se transformou numa puta subidona...cacete que azar ! Voltei, puto da vida até o trevo onde me perdera. Não foi à toa que me perdi pois prá ir em direção à Recife eu teria que sair da estrada à direita e não havia nenhuma placa indicativa.
Peguei a estrada certa e fui pedalando direto. Agora já havia trechos com subidas e descidas e o calor ficara insuportável. Povoados e postos de gasolina sumiram e acabei ficando um bom tempo sem água. Só às 15:30 hs eu chegaria à BR 101. Logo achei um posto de gasolina onde tomei água gelada e um belo banho. Logo à seguir estava a cidadezinha de Messias. Eu queria almoçar mas estava com pouco dinheiro. Iria entrar na cidade mas um senhor me indicou um restaurante um pouco mais à frente. Segui até lá. O prato feito custava R$ 3,50. Tentei negociar meio prato por R$ 2,00 pois a grana estava curta outra vez. A dona Bebé, dona do Restaurante e Hotel São Luiz, acabou por mandar me servir um prato completo, com arroz, feijão, salada e carne assada. E ainda por cima não quis cobrar a refeição. No final da refeição ainda me serviu cafézinho, ofereceu-me lugar para tomar um banho e lugar para descansar.
Comecei a escrever e enquanto isso dei as fotos para o pessoal dar uma olhada. A dona Bebé é uma daquelas pessoas que merecem aquilo que possuem, extremamente simpática e gentil, fez de tudo para me deixar à vontade mesmo sabendo que eu não gastaria um centavo sequer alí, ou seja fêz tudo sem o menor interesse. Iriamos tirar uma foto juntos mas não deu, acho que o filme deve ter acabado ou então as pilhas (só saberia mais tarde).
Prometi à ela que na volta pararia alí para tirar uma foto e daria um jeito de entregá-la pessoalmente ou pelo correio. Ao me despedir ela me contou que em quatro meses estaria mudando dalí para as novas instalações que estava construindo mais adiante. Pena que não vou conhecer, quem sabe ano que vem né ! Dona Bebé ainda me surpreenderia outra vez me oferecendo além de outro cafézinho, R$ 10,00 para que eu pudesse completar a viagem sem preocupação com dinheiro. Aceitei com a condição de que fosse um empréstimo. Pois eu estava precisando mesmo. Valeu mesmo dona Bebé !
Sai dali, do Hotel São Luiz às 16:30 hs e estava disposto à extrapolar naquela noite. Em uma hora já estaria escurecendo , mas eu queria muito mais, aproveitaria o bom estado da estrada para fazer um “night biker”. Valeu a pena, a noite estava simplesmente maravilhosa e eu já estava ficando cada vez mais viciado em pedalar à noite.
À noite, por incrível que pareça, é muito melhor para pedalar. A temperatura ideal e o pouco trânsito ajudam muito. À noite você não tem muitas opções para ficar parando à toda hora, a ùnica paisagem é o imenso céu com os milhões de estrelas que o habitam, além é claro da minha inseparável companheira, a Lua. Ela é a única fonte de luz a iluminar a estrada e nessa noite em especial ela parecia querer dar uma força. Estava mesmo muito claro ou os meu olhos já estavam se acostumando com a escuridão. O fato é que ao chegar em Novo Lino, verifiquei que havia batido o recorde de quilometragem na viagem, 164,40 Km.
Foi maravilhoso este penúltimo dia do desafio. Parei no meio da estrada, sentei-me e comecei à pensar em como a minha vida havia mudado em menos de um ano. A um ano atrás eu estava realmente mal, após a minha separação passei por momentos terríveis. Muita depressão, não tinha a menor vontade de viver, achava mesmo que minha vida havia se acabado. Não fosse por minha filha, pelo amor que tenho por ela, hoje eu não estaria aqui. Por sorte, e com muita força de vontade (modéstia à parte acho que essa é minha grande virtude) decidi reagir e aqui estou à 86 Km do final do meu desafio. O esporte é realmente a cura de todos os males. Desde o dia em que resolvi sair da cama e começar vida nova, a primeira coisa que fiz foi jogar fora todos os “remédios” que estava consumindo diáriamente sob receita médica (anti-depressivos, anti-isso, anti-aquilo...prá mim nada presta). Desde esse dia então nunca mais tomei nenhum remédio, nem mesmo para dor-de-cabeça, se a dor vem sozinha que vá embora sozinha. Além disso, tomar remédio prá que ? Não fico doente à muito tempo. Só me lembro daquele “acidente” em Itabuna, depois da “catada de caranguejo”.
Cheguei à Novo Lino às 20:45, procurando logo pelo posto da PM porém não havia alojamento e fui orientado a seguir até a delegacia. Acabei conseguindo alojamento e comida à vontade numa espécie de pensão usada exclusivamente pelos policiais. Fiquei à vontade pois não havia ninguém no local. Na mesa já havia refeição pronta, mandioca e batata-doce cozidas, biscoitos, café e bife. Comi prá caramba e fui prá caminha ao lado da minha inseparável foto da Teté.
Boa noite filhinha, amanhã eu chego lá !

Ficha Técnica

Velocidade média: 13,90 km/h
Velocidade máxima: 50,10 km/h
Percurso total: 164,47 km/h
Tempo de percurso: 12:00 hs

30 º Dia (O dia final)

30 º Dia (O dia final)

Como era de se esperar, acordei cedo e ansioso para cair na estrada. Levantei e fui logo fazendo um lanchinho às 6:30 hs. Chegaram à casa a Dna Maria Ciça e a Fátima, cosinheiras do local. Não comentei que já havia tomado café e uma hora depois eu estava tomando café de verdade junto com os agentes. Ai foi um café da manhã completo, pão mortadela cozida, ovos fritos, biscoitos, batata doce, cuscuz e mandioca. Comi como um rei. A cozinheira está de parabéns. Ainda aproveitei e sequestrei dois sanduiches prá viagem.
Durante o café, no meio de muitas brincadeiras, fui entrevistado pelo “Gil Gomes” local e depois participei do programa “Quer Namorar Comigo ?” com o Silvio Santos (Tudo cover é claro). As vitimas eram as duas cozinheiras (ficou só na amizade).
Sai logo em seguida e passei numa bicicletaria para novamente tentar dar um jeitinho na transmissão. Me despedi de todos na delegacia e fui embora, já eram 9:15 hs.
Ao pegar a estrada vi que o dia não ia ser nada fácil, desta vez a transmissão tinha ido embora de vez, não tinha mais conserto. Por sorte a estrada estava muito boa e não havia quase subidas. Mesmo assim foi muito difícil pedalar com a bike naquele estado. Eu ia perdendo as marchas pesadas, uma a uma. Dos sete pinhões, fiquei apenas com os dois mais leves. Imagine você pedalando numa estrada com muitos trechos planos e descidas e sem nenhuma marcha pesada. Nas subidas, como eram pequenas, não fazia muita diferença. Foi cansativo e pouco rendeu.
Finalmente depois de longos 35 Km a corrente quebrou. Tive que empurrar a bike por uns 4 Km até chegar à um posto de gasolina. Ao meio dia eu só havia feito 39 Km. Consertei a bike e aproveitei para almoçar ali mesmo. Acho que foi o pior almoço desde que iníciei a viagem. O preço era atrativo , R$ 2,50. Quando foi servido vi porque era barato. Um prato com feijão, arroz e macarrão frio (argh). Só comi o macarrão porque sabia que precisava consumir os carboidratos (se é que havia algum ali). No outro prato um frango torrado (que eles chamavam de galeto) e algumas rodelas de tomate e cebola (era a salada).
Prá animar mais ainda o ambiente chegou um baiolão com seu Chevette 74, abriu as portas da “caranga” e mandou ver suas fitas de bolerão e sertanejo, ainda por cima fora de rotação. O volume é claro, era o máximo possível, afinal mesmo quem não gostasse tinha que ouvir.
Sai voando, nem descansei. Faltavam para o final do desafio mais 48 Km. Seria pouco se não fosse o problema com a bike. Jamais eu chegaria à Recife onde pretendia terminar o dia. Parei um pouco mais a frente e descansei na sombra de um bar onde fui informado que com 48 Km eu chegaria mais ou menos no município de Escada. O computador já estava quase se apagando, era impossível fazer a leitura com a bike em movimento, uma pena pois eu gostaria muito de ver o desgraçado virando na marca dos 3.100 Km. Começei a fazer a marcação pelas placas indicativas à beira da rodovia. Havia placas de 2 em 2 Km em ordem decrescente e calculei que o final do desafio seria no Km 135. foi um dos piores trechos da viagem. Embora a estrada estivesse me convidando à uma boa pedalada eu não tinha mais equipamento. Foi um inferno. Eu estava na maior vontade de chegar. Cheio de gás, eu girava a perna e bike não andava, rezava por uma bela descida. Não tirava os olhos das placas indicando a quilometragem. Parecia que elas se afastavam de mim. Mas fui chegando, Km 139, Km 137 e de repente parei numa balança para pegar água gelada. Ao verificar o computador uma decepção, ele já marcava 86,23 Km, eu já havia passado a marca do 3.100 Km e não tive o prazer de sentir esse momento da minha vida. http://www.orkut.com.br/Main#AlbumZoom?uid=10932769780593617800&pid=1254052023915&aid=1253979376$pid=1254051277427 Comemorei ali mesmo junto com os agentes da fiscalização. Como testemunhas os agentes Gilvan e outro que esqueci o nome. Dali em diante eu resolvi pegar uma carona pois não daria mesmo prá chegar à Recife pedalando. Ainda faltavam uns 70 Km. Os agentes me ajudaram e logo consegui uma carona num caminhão basculante, dirigido pelo Chaves. O cara tava com muita pressa, dirigia como um louco, fazendo umas ultrapassagens perigosas. Nem conversamos muito, eu não queria desviar a atenção dele. A cada curva, a cada lombada ou buraco, eu lembrava da bike em cima da caçamba. Devia estar sofrendo muito a coitadinha. Logo chegamos à Recife e o Chaves me deixou quase na porta de um quartel do Corpo de Bombeiros onde fui apresentado ao Ten. Paulo. Ele bem que tentou, mas não conseguiu o pernoite alí. Mesmo assim mandou servir um prato de comida. Apesar da boa vontade eu preferia não ter jantado. A comida estava fria, quase não consegui comer. É...o meu dia gastronômico não foi nada bom.
Segui até o quartel do 6º Batalhão que ficava ali perto e novamente recebi um não. Fui informado que ao lado havia uma guarnição do exército. Fui até a portaria onde os sentinelas logo foram me desanimando. Diziam ser impossível, mesmo assim insisti para falar com o sargento. Chamava-se Naelson e não precisei de um minuto para conseguir autorização para o pernoite. O interessante é que toda a guarnição preferia dormir fora do alojamento devido ao calor e às muriçocas. Depois de tomar um banho, sai para tentar comprar filme para a máquina fotográfica. O aeroporto fica bem próximo ao quartel. Segui até lápois havia um shopping porém ao chegar desisti do filme. O de 12 poses custava R$ 5,76 e o de 24 a bagatela de R$ 10,00. Peguei um ônibus e fui até o Shopping Guararapes. Ai sim ! O filme custava R$ 4,40 (36 poses). Pedi a garota do balcão que trocasse o filme prá mim dentro da câmara escura pois o filme poderia estar com problemas. Peguei o ônibus de volta aproveitando para olhar um pouco a bela orla da praia. Ao voltar ao quartel já era bem tarde e todos já estavam acomodados. Fiz um lanchinho e dormi. E assim terminava um dos meus maiores desafios.
Ficha Técnica
Velocidade média: 12,20 km/h
Velocidade máxima: 53,10 km/h
Percurso total: 87,52 km/h
Tempo de percurso: 7:10 hs

3.100 KM